Planeta Global

Terça-Feira, 18 de Junho de 2019

MISS UNIVERSO 1975

Ignorando completamente o clima pouco propício, os organizadores do Miss Universe aceitariam o convite das autoridades de El Salvador para realizar a próxima edição do concurso no país. Com o pretexto de revigorar a indústria turistica da pequena nação centro-americana, o presidente Arturo Armando Molina procurava desviar a atenção da comunidade internacional das sistemáticas violações dos direitos humanos do seu governo. Neste problemático contexto político, a cidade de San Salvador sediaria a 24ª edição do concurso, a primeira em um país da América Central e a quarta realizada fora do Estados Unidos.

Depois de 25 anos da primeira edição do certame, finalmente a barreira de 70 participantes seria rompida este ano. Entre as 71 nações em competição, quatro faziam a sua estreia no concurso: Belize, a ex- Honduras Britânicas, com Lisa Longsworth, a ilha de Mauritius, com Nirmala Sohun, e dois territórios americanos no Oceano pacífico, Samoa e Micronésia, representados por Darlene Schwenke e Elena Delunger Tomokane. . Além destas novas adesões, alguns países por longo tempo ausentes da competição fariam seu retorno, como Guatemala, que voltava depois de 14 anos com Emy Elivia Abascal, e Marrocos, distante desde 1966, com Salhi Badia. Africa do Sul e Haiti, cujas últimas participações remontavam a 1968, também estavam outra vez presentes, com Gail Anthony e Gerthie David. Após terem desertado as duas últimas edições, Peru e Equador voltavam a competir com Olga Berninzon e Ana Maria Wray, e a Dinamarca tinha especialmente designado Berit Frederiksen como sua representante. Diversamente, alguns países abandonariam este ano a competição, ou por terem seus concursos nacionais interrompidos, como acontecido em Portugal, Chipre e Senegal, ou por razões diplomáticas, como no caso de Honduras, devido ao recente conflito com o país vizinho na chamada Guerra do Futebol. Miss Suriname, Mavis Slengard, renunciaria a partecipar dao certame por problemas de saúde, enquanto Miss Noruega, Sissel Gulbrandsen, e Miss Suazilândia, Vinah Thembi Mamba, concorreriam apenas ao Miss Mundo. Embora aguardadas em El Salvador, nem a representante das Ilhas Cayman, Dorothy McKoy, nem a de Guadeloupe, Eloise Jubienne, chegariam à destinação.

Logo após o desembarque das candidatas em San Salvador, a imprensa iniciaria a indagar sobre qual delas levaria a coroa para casa. Depois de aproximar-se várias vezes da vitória nos últimos anos, muitos acreditavam que a Finlândia conquistaria finalmente seu segundo titulo com Anne Marie Pohtamo, uma estupenda loira de olhos verdes de Helsinqui. Entre as suas principais adversárias estava outra escandinava, Miss Suécia, Catharina Sjödahl, uma encantadora loira de cabelos curtos, algo pouco comum na época. Não obstante o número elevado de admiradores, Catharina curiosamente não tinha sido a primeira opção para representar o país no concurso, mas substituia a original vencedora, Eva Eriksson, devido a sua renúncia. Outra forte candidata ao titulo era a exuberante morena Summer Bartholomew, Miss USA, a terceira californiana a representar o país na competição. Muito popular entre os seguidores do concurso era também Rose Marie Singson, Miss Filipinas, sem dúvida uma das mais belas candidatas enviadas até então pelo país, embora uma terceira vitória filipina em apenas sete anos parecesse pouco provável.

Outras candidatas europeias frequentemente mencionadas entre as favoritas eram a islandesa Helga Jonsdóttir, a escocesa Mary Kirkwood, a irlandesa Julie Farnham, e a inglesa Vicki Harris. Boas possibilidades de chegarem à segunda rodada tinham também a espanhola Chelo Martin Lopez, a francesa Sophie Perin, e a sérvia Lidija Mani?, Miss Iugoslávia, assim como a chamativa loira israelense Orit Cooper. Embora menos competitivo que em edições precedentes, o grupo da América do Sul contava com algumas válidas candidatas, como a brasileira Ingrid Buldag, a colombiana Martha Echeverry, a boliviana Jacqueline Gamarra, a chilena Raquel Argandoña, e a uruguaia Evelyn Rodriguez. Miss México, Delia Servin, era muito popular junto ao público, bem como a panamense, Anina Horta, além obviamente da candidata do país anfitrião, Carmen Figueroa, escolhida a dedo pela sua boa oratória e fluência em inglês. Apesar dos muitos fãs conquistados durante o confinamento, a bela Miss Venezuela, Neyla Moronta, ao vencer o concurso nacional tinha sido alvo de polêmicas no seu país por ter nascido na Colômbia, assim como a sua 1st runner-up, María Conchita Alonso. Neyla seria a primeira candidata a participar de um concurso internacional a admitir publicamente ter se submetido a uma cirurgia plástica no nariz, algo malvisto na época. Embora não particularmente atraente, Miss Japão, Sachiko Nakayama, era muito popular entre os seguidores do graças à sua simpatia e espontaneidade, enquanto a australiana Jennifer Matthews e a neozelandesa Barbara Kirkley tinham todos os requesitos para conquistar uma vaga no Top 12. Apesar da pouca atenção recebida, Gail Anthony era primeira representante da África do Sul não branca a participar do concurso.

Outras candidatas europeias presentes eram as representantes de Gales, Georgina Kerler, Alemanha, Silke Klose, Austria, Rosemarie Holzschuh, Suíça, Beatrice Aschwanden, Luxemburgo, Marie Thérèse Manderschied, Bélgica, Christine Delmelle, Holanda, Lynda Snippe, Dinamarca, Berit Frederikse, Islândia, Helga Eldon, Itália, Diana Salvador, Grécia, Afroditi Katsouli, Malta, Frances Ciantar, e Turquia, Sezin Tophouglu. As demais concorrentes da América do Norte e Central eram: Miss Canadá, Sandra Campbell, Miss Guatemala, Emy Abascal, Miss Nicarágua, Alda Sánchez, Miss Costa Rica, María González, e Miss Belize, Pelisamay Longsworth, enquanto vinham das ilhas do Caribe a Miss Porto Rico, Lorell Juan, Miss República Dominicana, Milvia Troncoso, Miss Bahamas, Sonia Chipman, Miss Ilhas Virgens Americanas, Julia Wallace, Miss Haiti, Gerthie David, Miss Jamaica, Louise King, Miss Trinidad & Tobago, Christine Jackson, Miss Aruba, Martica Pamela Brown, Miss Curaçao, Jasmin Fraites, além da Miss Bermudas, Donna Wright. Miss Equador, Ana María Salas, Miss Peru, Olga Berninzon, Miss Paraguai, Susana Ferreira, e Miss Argentina, Rosa Santillán, completavam o grupo de candidatas da América do Sul. O Continente Asiático competia também com as representantes do Líbano, Souad Nakhoul, Índia, Meenakshi Kurpad, Sri Lanka, Shyama Algama, Singapura, Sally Tan, Malásia, Alice Leng, Tailândia, Wanlaya Thonawanik, Indonésia, Lydia Wahab, Hong Kong, Mary Ma-Lai, e Coreia, Seo Ji-hye, e as ilhas do Pacífico com a Miss Guam, Deborah Naqui, Miss Samoa Americana, Darlene Schwenkey, Miss Micronésia, Elena Tomokane. As restantes candidatas da Africa eram a Miss Marrocos, Salhi Badia, a Miss Libéria, Aurelia Sancho, e a Miss Mauritius, Nirmala Sohun.

Dias antes da competição preliminar seriam entregues dois dos anuais prêmios especiais. Devido a um empate, pela primeira vez o troféu de Miss Fotogenia seria compartilhado por duas concorrentes: Miss Colômbia, Martha Echeverry, e Miss USA, Summer Bartolomeu, a segunda americana depois de Sharon Brown a vencer nessa categoria em 1961. Um júri especialmente composto de estudiosos de cultura popular escolheria o Melhor Traje Típico, que iria para aquele da Miss Guatemala, Emy Abascal, com o da Miss México, Delia Servin, em segunda posição.

Embora a televisão projetasse continuamente imagens das paradisíacas praias de El Salvador, a realidade no país era tudo menos que pacífica. Tropas do exército fortemente armadas eram convocadas para conter as manifestações populares que se propagavam pela cidade, protestando contra o US$ 1 milhão investido pelo governo para sediar o certame. A violenta repressão militar durante uma dessas manifestação se concluiria deixando centenas de feridos, dezenas de estudantes detidos, e uma vítima, um dado contestado por outras fontes, que davam um número de mortos bem superior. Devido à forte tensão, muitos eventos ligados ao concurso seriam cancelados, e as concorrentes ficariam terminantemente proibidas de se afastarem do hotel.

Depois da entrevista individual com os jurados, as candidatas partecipariam como de costume da competição preliminar, onde seriam selecionados as 12 semifinalistas. No mesmo dia, alguns jornais publicariam o resultado de um pesquisa realizada pelos estudantes da Universidade de El Salvador, que após inserirem os dados de todas as concorrentes em um computador davam Jacqueline Gamarra, Miss Bolívia, como a vencedora do concurso.

No dia 19 de julho, a 24° edição do Miss Universo seria realizada no gigantesco Ginásio Nacional de San Salvador, especialmente adaptado para sediar a manifestação. Bob Barker apresentaria novamente o evento, como sempre com a ajuda de Helen O'Connell. Além das 12.000 pessoas presentes na plateia, entre as quais o presidente de El Salvador e as mais importantes autoridades do país, milhões de tespectadores puderam assistir o espetáculo pela rede CBS. Apenas artistas locais participariam do evento.

A bancada de jurado era composta pelo ator Ernest Borgnine; a modelo e socialite hispano-americana Aline Griffith; o ceramista japonês Kiyoshi Hara; o campeão francês de esqui Jean-Claude Killy; o ator anglo-americano Peter Lawford; o jornalista Max Lerner; a atriz Susan Strasberg; o escritor Leon Uris; a popular cantora de jazz Sarah Vaughan; a Miss El Salvador 1955 e Miss Universo 1st runner-up, Maribel Arrieta; e a colombiana Luz Marina Zuluaga, Miss Universo 1958.

Após a tradicional abertura com o Opening Number, o espetáculo continuaria com a Parade of Nations, onde as concorrentes se apresentariam ao público diante de um majestoso cenário que recriava um antiga cidade maia. Concluído o segmento, Bob Barker entregaria o prêmio de Miss Simpatia, eleita pelas próprias concorrentes, à Miss Trinidad & Tobago, Christine Jackson.

Depois de um intervalo, os telespectadores puderam admirar mais uma vez todas as candidatas em traje de banho, em um vídeo rodado na Promenade de Los Chorros, uma das localidades turísticas mais visitadas de El Salvador. Enquanto isso nos bastidores, devido ao calor intenso e a forte tensão algumas concorrentes chegariam a desmair, entre elas a Miss Japão, a Miss Bermudas e a Miss Filipinas.

Em seguida, Bob Barker revelaria o nome dos 12 concorrentes que continuariam em competição. Esta seria a última vez que o anúncio das semifinalistas seria dado com as candidatas ainda vestidas em traje típico. Estas eram: Miss Haiti, Gerthie David; Miss Finlândia, Anne Marie Pohtamo; Miss El Salvador, Carmen Figueroa; Miss Colômbia, Martha Echeverri; Miss Filipinas, Rose Marie Brosas; Miss Inglaterra, Vicki Harris; Miss Japão, Sachiko Nakayama; Miss Israel, Orit Cooper; Miss Irlanda, Julie Farnham; Miss Brasil, Ingrid Budag; Miss Suécia, Catharina Sjödahl; e Miss USA, Summer Bartholomew.

A inesperada exclusão da Miss Venezuela, Maritza Pineda, considerada uma das favoritas ao titulo até então, surpreendeu o público. Outra surpresa ficaria por conta da precoce eliminação da Miss Bolívia, Jacqueline Gamarra, dada como a vencedora do concurso pelos computadores da Universidade de El Salvador. O Top 12 era formado prevalentemente pelas maiores potências do concurso, com a exceção da Irlanda, somente na sua terceira classificação, e pela segunda vez nas semifinais das representantes de El Salvador, que por pouco tinha perdido a coroa em 1955 com Maribel Arrieta, cuja escolha seria considerada apenas como um gesto de cortesia para com o país anfitrião, e a inesperada presença de Haiti, que 13 anos antes tinha feito história no concurso com a primeira negra semifinalista, Evelyn Myot.

Durante a entrevista com as semifinalistas, a charmosa Gerthie David, Miss Haiti, encantaria o público ao descrever os misteriosos ritos do vodu, a religião de origem africana praticada no seu país. Depois de mais uma pausa, seria a vez da competição em traje de banho, a qual seguiria a apresentação de outras antigas vencedoras do concurso presentes no evento: Gladys Zender, Miss Universo 1957, Norma Nolan, Miss Universo 1962, Corinna Tsopei, Miss Universo 1964, e Kerry Anne Wells, Miss Universo 1972.

Após um número musical com as concorrentes cantando a popular canção "Everybody Loves Saturday Night" em várias línguas, as semifinalistas desfilariam em vestido de noite. Logo em seguida, Bob Barker anunciaria os nomes das 5 finalistas. Estas eram: Miss Finlândia, Anne Marie Pohtamo; Miss Haiti, Gerthie David; Miss USA, Summer Bartholomew; Miss Filipinas, Rose Marie Brosas; e Miss Suécia, Catharina Sjödahl.

Não obstante a divertida entrevista, a presença da Miss Haiti entre as finalistas não era prevista pelo público. Apenas duas candidatas negras tinham chegado ao Top 5 precedentemente: Miss Curaçao, Anne Marie Braafheid em 1968, e a Miss Aruba, Maureen Ava Vieira, um ano antes. As candidatas de USA, Finlândia e Suécia eram consideradas possíveis vencedoras desde o início da competição, assim como a Miss Filipinas, que daria ao seu país a sua quarta finalista. A exclusão de todas as semifinalistas latino-americanas do Top 5 seria muito criticada, chegando alguns a acusarem os jurados de discriminação para com as candidatas da região.

Terminada a breve rodada de perguntas, Bob Barker anunciaria a decisão final dos jurados. Esta era: 4st runner-up, Miss Filipinas, Rose Marie Brosas, 3rd runner-up, Miss Suécia, Catharina Sjödahl; 2nd runner-up, Miss USA, Summer Bartholomew; 1st runner-up, Miss Haiti, Gerthie David; e Miss Universo 1975, Miss Finlândia, Anne Marie Pohtamo.

Diversamente do habitual, esse ano a nova Miss Universo não seriada coroada pela sua antecessora, a espanhola Amparo Muñoz, que tinha repudiado o titulo, mas pela Miss Universo 1972, a australiana Kerry Anne Wells. Excluindo as duas primeiras edições do concurso, tal fato só tinha acontecido precedentemente em 1972, quando Georgina Rizk, por medidas de segurança, não pôde viajar para Porto Rico. Após a supressão do manto no ano anterior, esta seria a última vez que a vencedora receberia o cetro, substituido dali em diante por um buquê de flores. Como recompensa pela sua vitória, Anne Marie ganharia US$ 22.000 em dinheiro, um contrato de US$ 10.000 com a organização, além de muitos outros prêmios.

Passados 23 anos da vitória de Armi Kuusela, vencedora da primeira edição do certame, Anne Marie Pohtamo conquistaria o segundo merecido titulo para a Finlândia, que como grande potência do concurso tinha acumulado nos últimos 13 anos duas semifinalistas, um 3rd runner-up, quatro 2nd runner-up, e três 1st runner-up. Todavia, o seu triunfo marcaria também o início da decadência do país na competição, que chegaria apenas raramente às semifinais nas décadas seguintes, até eclipsar-se completamente depois do 2nd runner-up de Lola Odusoga em 1996. Embora o seu 1st runner-up tenha surpreendido os seguidores do concurso, Gerthie David se tornaria a segunda candidata negra a chegar perto da coroa depois de Anne Marie Braafheid, Miss Curaçao, em 1968. Segundo algumas indiscrições ela teria perdido o titulo para a finlandesa por apenas um ponto, mas dali a dois anos finalmente uma negra venceria a coroa de Miss Universo: Janelle Commissiong, Miss Trinidad & Tobago. Contudo, mais de quatro décadas passariam antes que outra haitiana alcançasse as finais, e o longo jejum só seria rompido graças a Raquel Pélissier, que repetiria em 2016 o mesmo resultado da sua conterrânea. Assim como outras belíssimas candidatas americanas dos anos 70, Summer Bartholomew não daria o quinto titulo aos Estados Unidos, que viria somente no início da nova década com Shawn Weatherly, Miss Universo 1980. Ausente do Top 5 desde desde a vitória de Margareta Arvidsson em 1966, a partir do 3rd runner-up de Catharina Sjödahl a Suécia iniciaria outro brilhante ciclo no concurso, que culminaria com a conquista do seu terceiro titulo, vencido por Yvonne Ryding em 1984. Apesar do bom resultado de Rose Marie Brosas, raramente as Filipinas chegariam ao Top 5 nas edições seguintes, e o país só se tornaria realmente uma das principais potências do concurso a partir de 2010, conquistando a sua terceira coroa com Pia Wurtzbach em 2015, e a quarta com Catriona Gray em 2018.

Devido as contínuas manifestações de protesto, a maioria das candidatas abandonaria o país logo após a conclusão do evento, preferindo ir de carro até a Guatemala, para de lá prosseguirem em direção aos seus países de origem. Temendo possíveis atentados, a monumental parada em carro aberto programada para o dia seguinte seria substituida por um rápido desfile da nova Miss Universo em algumas ruas da cidade, sempre sob a estreita vigilância do exército. O presidente Arturo Armando Molina insistiria para que a vencedora e suas runners-up permanecessem ainda uma semana em El Salvador, mas a organização, alegando compromissos já assumidos nos Estados Unidos, recusaria o convite, e todos deixariam o país o mais rapidamente possível. A tensão em El Salvador levaria a uma guerra civil, que duraria 12 anos e deixaria um saldo de 75.000 mortos.

Anne Marie Pohtamo nasceu em Helsinki no dia 15 de agosto de 1955, numa família em parte de origem russa. Conquistando os votos do júri popular e do oficial, ela seria eleita com apenas 19 anos de idade Miss Suomi 1975. No seu primeiro encontro com a imprensa em Nova York ela declararia, em um impecável inglês, ter deixado um namorado na Finlândia, com o qual se casaria assim que terminasse o reinado. A vitória não a pouparia porém de ser duramente criticada no seu país, onde seria acusada de não ter condenado com suficiente firmeza a repressão do governo de El Salvador durante as manifestações,e algumas organizações feministas chegariam a pedir que ela renunciasse ao titulo.

O Miss International seria realizado em novembro no Expo Portside Theatre de Okinawa, Japão. Miss Iugoslávia, Lidija Mani?, completamente ignorada em El Salvador, derrotaria as outras 47 partecipantes, tornando-se assim, devido à futura desintegração do país, a única representante da federação a vencer um grande concurso internacional. Somente outras duas candidatas estavam presentes nos dois certames: Miss Austria, Rosemary Holzschuh, e Miss Alemanha, Sigrid Silke Klose, mas nenhuma delas chegaria às semifinais nesta ocasião.

O Miss Mundo aconteceria como de costume em novembro no Royal Albert Hall de Londres. Miss Porto Rico, Wilnelia Merced Cruz, venceria o titulo, tendo como sua 2nd runner-up a Miss Reino Unido, Vicki Harris, semifinalista no Miss Universo. As representantes da Austria, Rosemarie Holzschuh, Bélgica, Christine Delmelle, Bermudas, Donna Wright, França, Sophie Perin, e Luxembourg, Marie Thérèse Manderschied, também estavam entre as concorrentes, mas não chegariam às semifinais.

Miss Escócia, Mary Kirkwood, seria 4th runner-up no Miss Europa 1976.

Miss França, Sophie Perin, após o duplo fracasso no Miss Universo e no Miss Mundo, seria eleita Miss Internacional 1976, a única representante do país a vencer até hoje a competição. Curiosamente, ela seria coroada pela iugoslava Lidija Mani?, outra concorrente do Miss Universo ignorada em El Salvador. Entre as candidatas estava também a Miss Suíça, Beatrice Aschwanden, que seria novamente excluída da fase final.

Miss Líbano, Souad Nakhoul, concorreria ao Miss Mundo 1976, mas não chegaria às semifinais.

Após concluir seu ano de reinado, Anne Marie Pohtamo modelaria por algum tempo em Nova York, onde faria uma pequena aparição no filme "Manhattan" de Woody Allen. Ao seu retorno à Finlândia, ela se casaria com um engenheiro, com quem teria quatro filhos. Como membro ativo da Igreja Evangélica, Anne Marie se dedicaria à política a partir do ano 2000, apoiando os representantes do Partido Democrata-Cristão, pelo qual se canditaria, sem sucesso, às eleições parlamentares em 2007. Para celebrar o seu 60° aniversário, o Museu Nacional de Helsinque organizaria uma exposição com os vestidos e os prêmios vencidos por ela no concurso.


Uma das misses mais elegantes e classudas da história do Miss Brasil ?? , Eliane Guimarães foi a segunda mineira a vencer o concurso. No Miss Universo, foi a 5a. colocada.

A professora de Mariana, estudante de Bioquímica e Farmácia, venceu o Miss Brasil com 60 pontos contra os 52 da 2a. colocada, Lucia Petterle, que tornou-se Miss Mundo. Que ano!

Abaixo, trecho de reportagem da Revista Manchete sobre a eleição da Miss Brasil 1971, 5a. colocada no Miss Universo daquele ano.

"O suspense vai aumentando à medida que se aproxima o momento de definir o nome da nova Miss Brasil. O júri, prudentemente, se retira antes do final, enquanto Eliane Thompson, Miss Brasil-1970, se despede da platéia.
Quando Miss Minas Gerais é proclamada Miss Brasil-71, sua torcida explode.

Eliane Parreira Guimarães, estudante da Escola de Farmácia e Bioquímica de Ouro Preto, residente na vizinha cidade de Mariana, dava um salto em sua vida. De simples habitante de uma cidade do interior de Minas, ela passava à
condição de atração internacional.

 

- Eu conheci muito pouco a Eliane. Ela só chegou ao Rio na quarta-feira e quase não pude falar com ela. Mas nas poucas vezes em que a encontrei, sempre me pareceu muito simpática. Isso sem falar em sua beleza, graça e corpo ideais, que acabaram por seduzir o júri.
A opinião de Miss GB - Lúcia Tavares - segunda colocada na escolha final, é quase a opinião geral das outras concorrentes deste ano a respeito de Eliane Guimarães, a nova Miss Brasil.

Eliane, além de professora, é universitária e estuda na Faculdade de Bioquímica e Farmácia da Universidade de Ouro Preto. Sua vitória foi das mais tranqüilas dos últimos anos: conseguiu 60 pontos contra 52 da segunda.

Mas, foram o apoio e a vibração das quase vinte mil pessoas presentes ao Maracanazinho o grande segredo de sua escolha. Ao contrário das vezes anteriores, o público não tinha uma candidata de sua preferência, até o início do primeiro dos três desfiles. Entretanto, na primeira apresentação de Eliane, em traje de gala, com um longo preto muito sóbrio, as preferências começaram a aparecer.

- Não sei a que atribuir essa preferência. No começo cheguei a pensar que era a colônia mineira ali presente. Mas o barulho era tão grande que vi logo ser improvável essa hipótese. E meu pai e meus oito irmãos não poderiam estar fazendo aquela algazarra toda..."