Planeta Global

Segunda-Feira, 20 de Novembro de 2017

ORGANIZAÇÃO DA ALIMENTAÇÃO E AGRICULTURA

A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), que tem sede em Roma, foi fundada em 1945 com a função de elevar os níveis de vida e de nutrição dos povos, bem como melhorar as condições da população rural e incrementar a produtividade agrícola. Contando atualmente com 183 membros, é a principal organização global dedicada à agricultura sustentável, silvicultura, pesca e desenvolvimento rural.

Desde o início, as atividades da FAO são orientadas para reduzir a fome e a pobreza no planeta, promovendo a produção de alimentos e a segurança alimentar. Esta última é hoje definida como o acesso mínimo da população mundial aos alimentos necessários para levar uma vida digna, ativa e saudável, conservando os recursos naturais. O propósito central é satisfazer as necessidades das gerações atuais e futuras.

A FAO divulgou um novo relatório sobre a fome mundial, com ótimas notícias para o Brasil. O documento afirma que o número de subnutridos no mundo ainda está aumentando, mas diminuiu no Brasil. A vontade política dos últimos governos em lutar contra a fome e o Programa Fome Zero foram elogiados. As novas estimativas indicam que o número de pessoas com fome no mundo passou para 842 milhões.

A mesma FAO considera ainda que os mais recentes números indicam que a meta estabelecida durante o Encontro Mundial da FAO em 1996 (WFS, na sigla em inglês), de diminuir pela metade o número de subnutridos no mundo até 2015, tornou-se difícil de ser alcançada. Do total, 798 milhões de subnutridos são hoje de países em desenvolvimento, 10 milhões dos países industrializados e 34 milhões das nações em transição.

No planeta, enquanto 600 milhões de pessoas superaram desde 1990 a pobreza, 1 bilhão ainda lutarão muito para sair dela até 2015.

Um futuro livre da fome é um dos principais objetivos na agenda global pós-2015, prazo para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). Para que ele seja mesmo alcançado, é necessário que governos cumpram os compromissos firmados na Rio+20. Segundo a FAO, uma em cada 8 pessoas no mundo sofre de desnutrição crônica.

O atual Diretor-Geral da FAO, o brasileiro José Graziano, afirmou no início de 2013 que o nosso continente que ainda tem 49 milhões de famintos, foi a primeira região a assumir o desafio de erradicar a fome e não somente diminuí-la, ao lançar a iniciativa "América Latina e Caribe Sem Fome 2025".

Mais de um bilhão de toneladas de comida são desperdiçadas a cada ano. Para reverter esta situação, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) lançaram em 22/1/2013, a campanha global contra o desperdício de alimentos “Pensar. Comer. Preservar. Diga não ao Desperdício”

A iniciativa se dirige especialmente aos consumidores, comerciantes e outros atores da área gastronômica e de hospedagem e reunirá diversas ações contra o desperdício e que serão reunidas em um portal. Segundo a FAO, um terço dos alimentos é perdido durante os processos de produção e venda, um desperdício equivalente a um trilhão de dólares.

“Nas regiões industrializadas, quase metade da comida descartada, cerca de 300 toneladas por ano, ainda está própria para o consumo. Esta quantidade é equivalente a toda a produção de alimentos da África Subsaariana, e suficiente para alimentar 870 milhões de pessoas”, informa o Diretor-Geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

A campanha fornecerá informações e dicas para evitar o desperdício, reduzir o impacto ambiental e poupar recursos. Por exemplo, para os consumidores, não se deixar seduzir por estratégias para consumir mais do que o necessário e para os comerciantes, oferecer descontos aos produtos próximos de passar da validade.

A iniciativa está coordenada pelo SaveFood Initiative, ação da FAO e da Messe Düsseldorf, e pelo “Desafio Fome Zero”, do Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon. Participam também organizações como a WRAP UK, de incentivo à reciclagem, e Feeding de 5000, que distribui alimentos descartados, além de governos nacionais com políticas contra o desperdício.

FAO e EMBRAPA assinaram em 27/2/2013, uma parceria para que experiência e conhecimento brasileiros, possam contribuir no duro combate à fome em outros países em desenvolvimento.

O Diretor-Geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva, em reunião (abril 2013) sobre uma estratégia contra a fome no mundo pós-2015 (Madri, na Espanha), disse que “os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio [ODM], já nos fizeram avançar. Mas, com 870 milhões de pessoas ainda passando fome, a guerra contra a insegurança alimentar está longe de terminar ".