Planeta Global

Segunda-Feira, 25 de Março de 2019

Por trás da eleição de Catriona Elisa Magnayon Gray, 24, como Miss Universo 2018 na manhã da segunda-feira (17), na IMPACT Arena, em Bangcoc, está o resultado de um amplo esquema de cooptação de missólogos e de matérias pagas na imprensa das Filipinas para favorecê-la. Não apenas na sua eleição. Mas muito antes dela. Pouco depois de sua eleição como Miss Universo Filipinas 2018, no dia 18 de março, em Quezón City (região metropolitana de Manila), já eram intensas as tratativas para que as Filipinas sediassem a 67ª edição do concurso de Miss Universo. Em maio, veio a público o escândalo de corrupção que derrubou a então chefa do Departamento de Turismo, Wanda Teo, acusada de favorecer uma empresa de publicidade do irmão em espaços na TV pública do país, a PTV, em troca de anúncios do DOT na programação da emissora.
A queda de Wanda Teo colocou por terra o plano filipino de sediar o Miss Universo 2018, mas não a preparação de Cartiona para o concurso. As viagens da antecessora, a sul-africana Demi-Leigh Nel-Peters, 23, ao país entre março e abril não serviram para nada. Também de nada adiantou o almoço oferecido pelo empresário Chavit Singson, 77, à presidenta da Miss Universe Organization, Paula Shugart. A negativa de Bernadette Puyat, sucessora de Wanda Teo no DOT, para a realização do Miss Universo 2018 em território filipino fez Chavit agir em outras frentes. Emplacou a filha, a arquiteta Richelle Louise Singson-Michael como integrante do Comitê de Seleção do concurso em troca da eleição de Catriona.
Chavit também agiu nos bastidores para que Bangcoc sediasse o concurso. Usou seus parceiros locais de negócios para arregimentar investidores para bancar os US$ 12 milhões necessários para a realização do Miss Universo 2018 na “panela de arroz do Sudeste Asiático”. Viajou com o presidente Rodrigo Duterte, 73, para Seul, no final de maio, para arregimentar os detalhes de um acordo de distrato da sede filipina em favor de outro país asiático que se dispusesse a receber o certame. China, Coreia do Sul, Tailândia e Vietnã mostraram interesse em receber a 67ª edição do Miss Universo. Só a proposta tailandesa interessou à Miss Universe Organization. Mônaco e Peru já tinham ficado pelo caminho.
A escolha de Bangcoc para sediar o Miss Universo 2018 foi um toma lá dá cá explícito em troca da eleição de Catriona Gray, envolvendo agentes públicos, empresários e influenciadores digitais pagos pela Binibining Pilipinas Charities para manipular o resultado do certame. Fizeram isso desde que os nomes do Comitê de Seleção, todo de mulheres, foram anunciados. E já agiam mesmo antes de suas concorrentes diretas, como a brasileira Mayra Dias e a sul-africana Tamaryn Green, terem vencido seus concursos nacionais.
Com Catriona eleita Miss Universo 2018, o governo filipino já pode colocar em prática o plano de Bernadette quando abriu mão da sede do Miss Universo 2018: só voltar a realizar o Miss Universo em território filipino se alguma candidata do país vencer. E foi o que acabou acontecendo em uma das pontas. Na outra, o DOT só deve entrar em ação em janeiro, depois que Gray for homenageada em Manila com as honras oficiais devidas e a acolhida das ruas. A sede do Miss Universo 2019, seja em Quezón ou Pasay, já está na mira. Os missólogos que inflaram o Instagram de Catriona de 500 mil para 2 milhões de seguidores em menos de uma semana já começaram a trabalhar. Depois da desconstrução da imagem de suas concorrentes, a ordem é positivar as Filipinas mais uma vez, apesar do fardo que Duterte carrega junto à comunidade internacional de violador dos direitos humanos e governante corrupto.


O apoio das sete vencedoras venezuelanas do Miss Universo ao autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, 35, foi avassalador nas mídias sociais. Destas, apenas Maritza Sayalero, 57, e Irene Sáez, 57, vencedoras do concurso em 1979 e 1981, não manifestaram suas posições publicamente. Sáez, que vive em Miami, não tem conta em redes sociais, e isso dificulta uma compreensão mais ampla. Em 1998, ela disputou a Presidência do país com o general Hugo Chávez (1954-2013), que tramara um golpe fracassado em 1992 contra Carlos Andrés Perez (1922-2010), no Palácio de Miraflores. Perez, depois, sofreu impeachment por suspeitas de corrupção em seu governo.

As vencedoras do Miss Universo de 1986, Bárbara Palacios, 55, de 1996, Alicia Machado, 42, de 2008, Dauana Mendoza, 32, de 2009, Stefanía Fernández, 28, e de 2013, Maria Gabriela Isler, 30, expressaram apoio imediato a Guaidó após seu pronunciamento quando prestou juramento à Constituição. A Venezuela de sete misses Universo vive um trapézio econômico e social, com inflação de 1.000.000% ao ano e emigração massiva para o Brasil, Colômbia e Guiana que lhes fazem fronteira, em função da perseguição do Nicolas Maduro, 56. O madurismo vigente desde 2013 colocou na cadeia líderes de oposição e jornalistas estrangeiros, como os da Rede Record que faziam reportagens sobre negócios da construtora Odebrecht no país.

A Prefeitura da cidade de Cairns (1.683 km ao norte de Brisbane, capital do Estado australiano de Queensland) planeja uma grande recepção para a vencedora da 67ª edição do concurso de Miss Universo, Catriona Gray, 24, que nasceu na cidade. O prefeito Bob Manning, 73, disse que o conselho municipal planeja uma série de eventos para homenageá-la. “Estamos orgulhosos dela”, disse o chefe do Executivo municipal. A data de chegada de Catriona à cidade de 146 mil habitantes do nordeste australiano ainda não foi decidida.
Além de Cairns, onde nasceu e cresceu ao lado do pai australiano, Ian Gray, e da mãe filipina, Normita Magnayon, Catriona Gray também terá homenagens em Manila, para onde se mudou em 2011 para seguir carreira de modelo e cantora. Elas estão sendo p?anejadas pela Miss Universe Organization, por prefeituras da Grande Manila e pela LCS Group, do empresário Chavit Singson, 77, que já acertou a realização da 68ª edição do Miss Universo para Seul, no dia 16 de dezembro (15 de dezembro, pelo horário brasileiro de verão). Antes do Miss Universo, Catriona disputou o Miss Mundo em 2016.
Por ter dupla cidadania, a eleição de Catriona Gray divide filipinos residentes em Cairns. Um dos principais jornais da cidade, o tabloide The Courier Mail, decidiu tirar proveito da situação e nomeá-la informalmente “Miss Universo Queensland”, numa troça com a Binibining Pilipinas Charities, organizadora do concurso que a credenciou para o Miss Universo. A capa do Mail irritou fãs filipinos de Catriona, que também faz trabalhos de caridade. Ela se tornou a quarta filipina a vencer o título de Miss Universo.