Planeta Global

Domingo, 23 de Setembro de 2018

Entrevista sobre Missólogos

Você sabe o que é um missólogo?

 

Para entender melhor este universo, Andréia Reis, Miss Santa Catarina, semifinalista (Top 12) no Miss Brasil 1985, entrevistou o   jornalista,  arquiteto e missólogo baiano, Roberto Macedo, editor do site Miss News, autor da biografia da Miss Universo 1968, Martha Vasconcellos. 

 

ANDRÉIA REIS - Roberto, qual a origem da palavra missólogo?

ROBERTO MACÊDO -  Acredito que ela surgiu em 1987 quando eu fui convidado para uma entrevista na TV Itapoan em um programa preparatório do Miss Bahia. O produtor, Carlos Borges, irmão da apresentadora, Hélide Borges, disse que não sabia como me chamar. Foi então que ele sugeriu o termo "missólogo". A partir dali, passaram a me chamar de missólogo em todos os programas que eu participava.

 

ANDRÉIA REIS - E o que é um Missólogo?

ROBERTO MACÊDO - O missólogo é o estudioso dos concursos de misses. Assim como existem psicólogos, antropólogos, geólogos, existem missólogos. É quem pesquisa, quem busca o conhecimento decorrente dos concursos de beleza, pois não se resume ao desfile a escolha de uma miss. Há todo um envolvimento social, político, econômico. Uma miss conta com a participação do seu meio, sua família, seus amigos, seu clube, seu município, seu estado, seu país. Há os componentes econômicos, como a sede do concurso, os patrocinadores, as transmissões por TV, rádio, internet, etc. Também podemos observar os interesses políticos de lançar uma candidata, de sediar o evento, de usar o título de uma miss para promoção. Há questões relacionadas com cirurgias plásticas, sexo, religião, racismo. Ou seja, um concurso de miss é o retrato do momento sociopolítico de uma coletividade.

 

ANDRÉIA REIS - Quais foram os primeiros missólogos brasileiros?

ROBERTO MACÊDO - No início eu me sentia um ET. Não conhecia mais ninguém que gostasse dos concursos de beleza como eu, de forma científica - diria até assim. Com o tempo, conheci um missólogo colombiano fruto de uma carta que enviei para a revista Cromos. Ele me colocou em contato com o alagoano Expedito Barros (um dos maiores do Brasil). Daí o grupo foi crescendo, e, com o advento da internet, descobrimos que não somos ETs, rssss. Há muitos missólogos em todo o mundo.

 

ANDRÉIA REIS - Existem regras?

ROBERTO MACÊDO - Não. Alguns se interessam mais pelo fato social, outros pelos indicativos de uma época, outros pelas estatísticas. O importante é que cuidem dos concursos com esmero, procurando tirar todas as lições possíveis para que se possa entender uma época. É de grande importância separar o missólogo do treinador. De uns tempos para cá, pessoas que não sabem nada da história dos concursos, mas que ensinam a miss a se maquiar, a desfilar, a posar, têm se auto-denominado missólogos. Não, esses não são missólogos. São treinadores de misses.

 

ANDRÉIA REIS - Qual o perfil de um missólogo?

ROBERTO MACÊDO - Os mais variados. Creio que há um componente comum a todos: são inteligentes (modéstia à parte rssss). São profissionais que cuidam das suas vidas, geralmente bem sucedidos nas suas profissões e têm nos concursos de beleza um hobby muito importante ao qual dedicam boa parte do seu tempo.

 

ANDRÉIA REIS - Qual a importância dos missólogos para a história dos nossos concursos?

ROBERTO MACÊDO - Acredito que a importância maior está em ser um guardião da história. O missólogo guarda com cuidado e conhecimento técnico o acontecimento. É uma testemunha. E faz com que as rainhas da beleza sejam eternamente lembradas, homenageadas, festejadas. Devemos sempre saber quem fomos para sabermos o que queremos ser. "Um povo sem história é um povo sem futuro", finaliza Roberto Macedo.