Planeta Global

Domingo, 25 de Agosto de 2019

Por trás da eleição de Catriona Elisa Magnayon Gray, 24, como Miss Universo 2018 na manhã da segunda-feira (17), na IMPACT Arena, em Bangcoc, está o resultado de um amplo esquema de cooptação de missólogos e de matérias pagas na imprensa das Filipinas para favorecê-la. Não apenas na sua eleição. Mas muito antes dela. Pouco depois de sua eleição como Miss Universo Filipinas 2018, no dia 18 de março, em Quezón City (região metropolitana de Manila), já eram intensas as tratativas para que as Filipinas sediassem a 67ª edição do concurso de Miss Universo. Em maio, veio a público o escândalo de corrupção que derrubou a então chefa do Departamento de Turismo, Wanda Teo, acusada de favorecer uma empresa de publicidade do irmão em espaços na TV pública do país, a PTV, em troca de anúncios do DOT na programação da emissora.
A queda de Wanda Teo colocou por terra o plano filipino de sediar o Miss Universo 2018, mas não a preparação de Cartiona para o concurso. As viagens da antecessora, a sul-africana Demi-Leigh Nel-Peters, 23, ao país entre março e abril não serviram para nada. Também de nada adiantou o almoço oferecido pelo empresário Chavit Singson, 77, à presidenta da Miss Universe Organization, Paula Shugart. A negativa de Bernadette Puyat, sucessora de Wanda Teo no DOT, para a realização do Miss Universo 2018 em território filipino fez Chavit agir em outras frentes. Emplacou a filha, a arquiteta Richelle Louise Singson-Michael como integrante do Comitê de Seleção do concurso em troca da eleição de Catriona.
Chavit também agiu nos bastidores para que Bangcoc sediasse o concurso. Usou seus parceiros locais de negócios para arregimentar investidores para bancar os US$ 12 milhões necessários para a realização do Miss Universo 2018 na “panela de arroz do Sudeste Asiático”. Viajou com o presidente Rodrigo Duterte, 73, para Seul, no final de maio, para arregimentar os detalhes de um acordo de distrato da sede filipina em favor de outro país asiático que se dispusesse a receber o certame. China, Coreia do Sul, Tailândia e Vietnã mostraram interesse em receber a 67ª edição do Miss Universo. Só a proposta tailandesa interessou à Miss Universe Organization. Mônaco e Peru já tinham ficado pelo caminho.
A escolha de Bangcoc para sediar o Miss Universo 2018 foi um toma lá dá cá explícito em troca da eleição de Catriona Gray, envolvendo agentes públicos, empresários e influenciadores digitais pagos pela Binibining Pilipinas Charities para manipular o resultado do certame. Fizeram isso desde que os nomes do Comitê de Seleção, todo de mulheres, foram anunciados. E já agiam mesmo antes de suas concorrentes diretas, como a brasileira Mayra Dias e a sul-africana Tamaryn Green, terem vencido seus concursos nacionais.
Com Catriona eleita Miss Universo 2018, o governo filipino já pode colocar em prática o plano de Bernadette quando abriu mão da sede do Miss Universo 2018: só voltar a realizar o Miss Universo em território filipino se alguma candidata do país vencer. E foi o que acabou acontecendo em uma das pontas. Na outra, o DOT só deve entrar em ação em janeiro, depois que Gray for homenageada em Manila com as honras oficiais devidas e a acolhida das ruas. A sede do Miss Universo 2019, seja em Quezón ou Pasay, já está na mira. Os missólogos que inflaram o Instagram de Catriona de 500 mil para 2 milhões de seguidores em menos de uma semana já começaram a trabalhar. Depois da desconstrução da imagem de suas concorrentes, a ordem é positivar as Filipinas mais uma vez, apesar do fardo que Duterte carrega junto à comunidade internacional de violador dos direitos humanos e governante corrupto.

MBM 2018 celebrou os 60 anos de participação do Brasil no concurso Miss Mundo, fazendo-o este um evento muito importante para o Mundo Miss brasileiro. O concurso foi no dia 11 de agosto com 48 candidatas, representantes de 25 estados da federação (fora o Distrito Federal e Roraima), insulares e regiões (vales, sertões, serras, etc.).

 

Pontos positivos:

a) bom nível de beleza das candidatas que suplantou o do ano passado;

b) a transparência dos resultados das provas classificatórias e entrevista;

c) a homenagem aos 60 anos do Brasil no MW com a presença de misses;

d) a beleza e carisma da apresentadora Lívia Nepomuceno;

d) o resultado final condizente com a proposta do concurso.

 

Pontos negativos:

a) a quantidade de candidatas continua grande e desnecessária, pelo menos 1/3 não estavam com conjunto condizente do que se espera num concurso nacional. Infelizmente outros concursos nacionais já estão seguindo esse caminho. Acredito que seja para obter um receita maior com as inscrições;

b) realizar a final de um concurso de grande porte na área de eventos de um resort novamente mostrou que é um erro. Cenas constrangedores de pessoas atravessando a passarela e o nítido aperto das candidatas no "palco" provam;

c) o nervosismo do apresentador Juliano Crema que, aparentemente, também era o diretor do concurso ficou evidente e comprometeu a transmissão.

d) a falta de comunicação entre apresentadores e equipe técnica promoveram momentos de certa bagunça no palco, como no momento da homenagem às misses Brasil Mundo, onde ninguém sabia para onde ir ao final.

 

Eu gosto muito do formato do concurso, da causa que defende (Beleza pelo Bem) e pelo apoio e preparação que a vencedora recebe para concorrer ao título de Miss Mundo, mas como espetáculo televisivo, o Miss Brasil Mundo ainda não conseguiu mostrar algo interessante de desde 2006, quando a organização CNB assumiu a franquia. Acredito que um concurso desse porte deveria acontecer num teatro ou casa de espetáculos e ser melhor dirigido.

               

A vencedora Jéssica Carvalho não estava no meu top 7, mas mostrou na final que mereceu a coroa e fez história em conquistar pela primeira vez o título para o Piauí. Ela mostrou que está preparada, tem uma excelente oratória e com o apoio e lapidação que receberá até início do Miss Mundo, teria chance de levar o nome do país ao topo, mas decepcionou muito. Espero que em 2019 tenhamos a final melhor, pois esse formato já mostrou-se inadequado.

O apoio das sete vencedoras venezuelanas do Miss Universo ao autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, 35, foi avassalador nas mídias sociais. Destas, apenas Maritza Sayalero, 57, e Irene Sáez, 57, vencedoras do concurso em 1979 e 1981, não manifestaram suas posições publicamente. Sáez, que vive em Miami, não tem conta em redes sociais, e isso dificulta uma compreensão mais ampla. Em 1998, ela disputou a Presidência do país com o general Hugo Chávez (1954-2013), que tramara um golpe fracassado em 1992 contra Carlos Andrés Perez (1922-2010), no Palácio de Miraflores. Perez, depois, sofreu impeachment por suspeitas de corrupção em seu governo.

As vencedoras do Miss Universo de 1986, Bárbara Palacios, 55, de 1996, Alicia Machado, 42, de 2008, Dauana Mendoza, 32, de 2009, Stefanía Fernández, 28, e de 2013, Maria Gabriela Isler, 30, expressaram apoio imediato a Guaidó após seu pronunciamento quando prestou juramento à Constituição. A Venezuela de sete misses Universo vive um trapézio econômico e social, com inflação de 1.000.000% ao ano e emigração massiva para o Brasil, Colômbia e Guiana que lhes fazem fronteira, em função da perseguição do Nicolas Maduro, 56. O madurismo vigente desde 2013 colocou na cadeia líderes de oposição e jornalistas estrangeiros, como os da Rede Record que faziam reportagens sobre negócios da construtora Odebrecht no país.

A Prefeitura da cidade de Cairns (1.683 km ao norte de Brisbane, capital do Estado australiano de Queensland) planeja uma grande recepção para a vencedora da 67ª edição do concurso de Miss Universo, Catriona Gray, 24, que nasceu na cidade. O prefeito Bob Manning, 73, disse que o conselho municipal planeja uma série de eventos para homenageá-la. “Estamos orgulhosos dela”, disse o chefe do Executivo municipal. A data de chegada de Catriona à cidade de 146 mil habitantes do nordeste australiano ainda não foi decidida.
Além de Cairns, onde nasceu e cresceu ao lado do pai australiano, Ian Gray, e da mãe filipina, Normita Magnayon, Catriona Gray também terá homenagens em Manila, para onde se mudou em 2011 para seguir carreira de modelo e cantora. Elas estão sendo p?anejadas pela Miss Universe Organization, por prefeituras da Grande Manila e pela LCS Group, do empresário Chavit Singson, 77, que já acertou a realização da 68ª edição do Miss Universo para Seul, no dia 16 de dezembro (15 de dezembro, pelo horário brasileiro de verão). Antes do Miss Universo, Catriona disputou o Miss Mundo em 2016.
Por ter dupla cidadania, a eleição de Catriona Gray divide filipinos residentes em Cairns. Um dos principais jornais da cidade, o tabloide The Courier Mail, decidiu tirar proveito da situação e nomeá-la informalmente “Miss Universo Queensland”, numa troça com a Binibining Pilipinas Charities, organizadora do concurso que a credenciou para o Miss Universo. A capa do Mail irritou fãs filipinos de Catriona, que também faz trabalhos de caridade. Ela se tornou a quarta filipina a vencer o título de Miss Universo.

MISS UNIVERSO 1986
Descartada a possibilidade de realizar o concurso na Sicília, finalmente o Panamá seria escolhido, após três frustradas tentativas, para sediar a 35ª edição do Miss Universo. Esta seria a sexta vez que a competição aconteria em um país da América Latina, e os meios de comunicação locais seguiriam com grande interesse a manifestação.
Nos primeiros dias de julho, as 78 candidatas ao titulo desembarcariam na a capital do Panamá, mas uma semana depois o número de concorrentes se reduziria a 77 com a desclassificação de Tatjana Spasic, Miss Iugoslávia, de apenas 17 anos. O único país a estrear nessa edição seria a Costa do Marfim, representada por Marie Françoise Kouame, mas em compensação três outros voltariam à competição depois da pausa do ano anterior: Aruba, com Mildred Jacky Semeleer, Suiça, com Eveline Glanzmann, e Turquia, com Demet Basdemir. Além desses, após desertar o concurso por mais de uma década, a Jamaica estava novamente presente com Liliana Cisneros. Por outro lado, duas organizações nacionais escolheriam de enviar as vencedoras de seus concursos somente ao Miss Mundo, nesse caso a Miss Bermudas, Samantha Morton, e a Miss Ilhas Cayman, Deborah Cridland. Embora eleita Miss Senegal, Maria Diéye não representaria seu país em nenhum certame internacional, enquanto por causa do cancelamento de suas competições também se ausentariam o Haiti e a pequena ilha de Dominica, que nunca mais voltaria à concorrer ao Miss Universo. Outra definitiva deserção seria aquela do Tahiti, que como território francês ultramarino iniciaria a concorrer a partir desse ano somente ao Miss França.
Poucas semanas antes de partirem para o Panamá, algumas concorrentes tinham concorrido em Caracas ao titulo de Miss Sudamérica, um certame que servia na época a avaliar o potencial das futuras candidatas da região. A representante do país sede, a venezuelana Bárbara Palacios, tinha vencido o titulo, tendo como suas runners-up a colombiana Mónica Urbina, a brasileira Deise Nunes e a boliviana Elizabeth O'Connor D'Arlach. Entre as concorrentes estavam também a argentina María de los Ángeles Fernández Espadero, a equadoriana Verónica Sevilla, a peruana Karin Lindemann, e a uruguaia Norma García. Outra candidata que já tinha participado precedentemente de uma competição internacional era a Miss Suiça, Eveline Glanzmann, 6th runner-up no Miss Mundo 1985, onde também estavam presentes, sem obter porém o mesmo resultado, a Miss Gibraltar, Gail May Francis, e a Miss Turks & Caicos, Barbara Mae Capron, enquanto a Miss Ilhas Virgens Americanas, Jasmine Turner, tinha concorrido no mesmo concurso em 1979. Miss Irlanda, Karen Ann Shevlin, tinha invés disputado o titulo de Miss Internacional em 1985.
Apesar do alto nível desse ano, duas eram as candidatas que se revezavam no topo de todas das listas como prováveis vencedoras da coroa: Miss USA e Miss Venezuela. Embora originária do Connecticut, a esplêndida loira Christy Fichtner tinha conquistado a terceira coroa consecutiva de Miss USA para o estado do Texas, derrotando na reta final outra estupenda candidata, que se tornaria no futuro uma famosa estrela de Hollywood: Miss Ohio, Halle Berry, Miss Ohio. Poucos meses depois, Halle seria a primeira afro-americana a representar os Estados Unidos no Miss Mundo, acabando o concurso como 5th runner-up. A única concorrente que parecia capaz de impedir a sexta vitória americana era a encantadora morena Bárbara Palacios, uma modelo professsional e estudante de comunicação de Caracas, cujos pais eram famosos atores da televisão. Embora inicialmente recalcitrante a entrar no mundo dos concursos, Bárbara tinha enfim cedido aos reiterados convites de Osmel Sousa para participar do Miss Venezuela, e depois da vitória tinha seguido uma rigorosa dieta, além de quatro horas diárias de ginástica, até moldar a sua figura à perfeição, decidida a trazer a terceira coroa de Miss Universo para o seu país
Contudo, apesar de acirrada concorrência, muitas eram também as candidatas europeias com potencial suficiente para conquistar o titulo. A belíssima Miss Holanda, Caroline Veldkamp, era mencionada em todas as listas logo após das duas grandes favoritas. Como sempre, elevado era o nível das candidatas da Escandinávia, com a finlandesa Tuula Polvi e a norueguesa Tone Henriksen liderando o grupo, seguidas pela sueca Anne Lena Rahmberg, a islandesa Thora Thrastardóttir, e a dinamarquesa Helena Christensen, que mesmo sendo a menos cotada entre elas se tornaria depois de alguns anos uma top model de fama internacional. Igual possibilidade de chegarem à segunda rodada tinham a Miss Suiça, Eveline Glanzmann, a Miss Alemanha, Birgit Jahn, a Miss Inglaterra, Joanne Sedgley, e a graciosa Miss Polônia, Brygida Bziukiewicz. Entre as representantes dos países mediterrâneos, a mais forte candidata ao titulo era a sensual Miss Itália, Susanna Huckstep, mas boas chances de chegarem ao segundo turno tinham também a espanhola Concepción Tur Espinosa, a grega Vasilia Mantaki, e a israelense Nilly Drucker.
A imprensa dedicaria particular atenção as concorrentes latinas, principalmente à exuberante Miss Colômbia, Mónica Urbina, e a Miss Brasil, Deise Nunes, a primeira negra a vencer o concurso nacional. Outras candidatas da América do Sul bem cotadas eram a Miss Bolívia, Elizabeth O’Connor D’Arlach, a Miss Chile, Mariana Villasante Aravena, e a Miss Peru, Karin Lindemann. Miss México, Alejandrina Carranza, era muito popular entre os seguidores do concurso, assim como a Miss Guatemala, Christa Wellman, e a Miss Porto Rico, Elizabeth Robison Latalladi. Diversamente, embora fosse a representante do país anfitrião, poucos apostavam que entre as semifinalistas estaria Gilda García, Miss Panamá. A exceção da vistosa Miss Trinidad & Tobago, Candace Jennings, a probabilidade que alguma outra candidata das pequenas ilhas do Caribe pudesse chegar ao Top 10 era praticamente zero.
Apesar da consistente presença, as únicas concorrentes asiáticas citadas em alguns elencos de favoritas eram a Miss Sri Lanka, Mehr Jessia, a Miss Malásia, Betty Chee Nyuk Pit, a Miss Japão, Hiroko Esaki, e sobretudo a sofisticada Mehr Jessia, a primeira Miss India de origem parsi. Entre as candidatas da Oceânia invés, a bela Christina Bucat, Miss Australia, parecia ser aquela com maiores chances de  classificação, mas bastante competitivas eram também as exóticas Christine Guerrero, Miss Marianas do Norte, e Tui Kaye Hunt, Miss Samoa Ocidental, a última representante do país a concorrer ao Miss Universo. Com a atraente Geneviève Lebon, a ilha de Reunion também fazia a sua derradeira aparição no concurso, incorporada a partir do ano seguinte, como outros territórios franceses, ao Miss França. Depois de dez tentativas sem obter algum resultado significativo, a remota Papua-Nova Guiné abandonaria com Anna Wild definitivamente o Miss Universo. Dois países africanos também estariam presentes pela última vez no concurso: Gâmbia, com Rose Marie Eunson, e Zaire, em competição esse ano com a altíssima Aimee Likobe Dobala, uma concorrente com todos os quesitos para repetir o sucesso de Kayonga "Benita" Mureka, 2nd runner-up na edição precedente.
Outras concorrentes em competição eram as representantes da:
Europa: Austria, Manuela Redtenbacher; Bélgica, Goedele Liekens; Chipre, Christina Vassaliadou; Escócia, Natalie Devlin; França, Catherine Carew; Gibraltar, Gail Francis; Irlanda, Karen Shevlin; Luxemburgo, Martine Pilot; Malta, Antoinette Zerafa; Gales, Tracey Rowlands; Portugal, Mariana Carrico; e Turquia, Demet Basdemir.
Américas: Argentina, María de los Ángeles Espadero; Aruba, Mildred Jacky Semeleer; Bahamas, Marie Brown; Belize,Romy Ellen Taegar; Ilhas Virgens Britânicas, Shereen Flax; Canadá, Renee Newhouse; Costa Rica, Aurora Velásquez; Curaçao, Christine Sibilo; República Dominicana, Lissette Chamorro; Equador, Verónica Sevilla Ledergerber; El Salvador, Vicky Cañas; Honduras, Sandra Navarrete; Jamaica, Liliana Cisneros; Paraguai, Johanna Kelner Toja; Turks & Caicos, Barbara Capron; Miss Ilhas Virgens Americanas, Jasmine Olivia Turnere, e Uruguai, Norma García Lapitz.
Asia, Africa & Oceânia: Ilhas Cook, Lorna Sawtell; Costa do Marfim, Marie Françoise Kouame; Guam, Dina Ann Reyes; Hong Kong, San Lee Robin Mae; Coreia, Young-ran Bae; Líbano, Reine Barakat; Nova Zelândia, Christine Atkinson; Filipinas, Violeta Naluz; Singapura, Farah Lange; eTailândia, Thaveeporn Klungpoy.
As despropositadas medidas de segurança, que limitavam o contacto entre os jornalistas e as candidatas, dariam margem a muitas reclamações. Durante um evento, alguns manifestantes que gritavam slogans contra o regime do General Noriega seriam violentamente reprimidos pela polícia militar. A um certo ponto, Miss Holanda, Caroline Veldkamp, uma das grandes favoritas ao titulo, abandonaria o confinamento para visitar seu pai, adoentado, mas conseguiria voltar ao Panamá a tempo para participar da competição preliminar. Poucos dias antes da noite final, iniciariam a circular bizarros rumores, em seguida revelados completamente infundados, que a Miss Venezuela, devido a uma fratura na perna, abandonaria a competição.
Após serem entrevistadas individualmente pelos jurados, as candidatas desfilariam para a seleção das 10 semifinalistas. Durante competição preliminar seriam anunciados os nomes das vencedoras dos prêmios especiais. Miss Guam, Dina Reyes Salas seria eleita pelas suas companheiras Miss Simpatia, dando a pequena ilha o seu terceiro troféu, e pelo segundo ano consecutivo, nessa categoria. O prêmio de Melhor Traje Típico iria invés a anfitriã, Gilda García, Miss Panamá, com aqueles da Miss Brasil, Deise Nunes, e da Miss Chile, Mariana Villasante Aravena, em 2° e 3° posição. Depois de Daniela Bianchi em 1960 e Emanuela Stramana em 1964, a bela Susanna Huckstep venceria o terceiro titulo de Miss Fotogenia para a Itália.
A 35ª edição do Miss Universo seria realizada no Atlapa Convention Center da Cidade do Panamá no dia 21 de julho. O certame, transmitido para todo o mundo pela CBS e pela TVN, a principal emissora panamense, seria conduzido mais uma vez por Bob Barker, esse ano com a colaboração da atriz Mary Frann. As atrações musicais ficariam por conta da cantora cubana Gloria Estefan e seu grupo, o Miami Sound Machine, e pelo Ballet Folclórico do Panamá.
A exceção do fotógrafo Harry Langdon e do diretor teatral panamense José Quintero, esse ano o júri seria composto quase que exclusivamente por atores e atrizes, entre eles os americanos Don Correia, Christina McNichol, Willard Pugh, Jerry Tim, Patrick Macnee, Sandy Duncan, a espanhola Paloma San Basilio, o sul coreano Soon-Tek Oh, e a Miss Universo 1980, Shawn Weatherly.
A competição iniciaria com o tradicional Opening Number, tendo ao fundo uma réplica do mais alto arranha-céu do Panamá, ao qual seguiria a Parade of Nations com a apresentação individual das concorrentes em traje típicos. As grandes favoritas ao titulo, Miss USA e Miss Venezuela, seriam as mais aplaudidas pelo público.
Depois de um intervalo comercial, os telespectadores puderam observar ainda uma vez todas as candidatas no Catalina Swimsuit Fashion Show, rodado em algumas das mais belas praias do Panamá. Através a visão das notas recebidas na prova em traje de banho na competição preliminar, a audiência podia pressupor quais delas tinham maiores chances de compor o Top 10.
Muitas surpresas viriam em seguida com a revelação das semifinalistas selecionadas. Estas eram: Miss Brasil, Deise Nunes; Miss Colômbia, Monica Urbina; Miss Puerto Rico, Elizabeth Robison; Miss USA, Christy Fichtner; Miss Zaire, Aimée Dobala; Miss Suiça, Eveline Glanzmann; Miss Venezuela, Bárbara Palacios; Miss Polônia, Brygida Bziukiewicz; Miss Finlândia, Tuula Polvi; e Miss Chile, Mariana Villasante.
Embora tivessem ficado em 4° e 6° posição na prova preliminare m traje de banho, duas das grandes favoritas à coroa, Miss Holanda e Miss Itália, acabariam excluídas do Top 10. Diversas outras bem cotadas concorrentes também ficariam de fora das semifinais, entre elas as representantes da Espanha, Noruega, Reunion, Inglaterra e India. Graças a melhor pontuação em traje de banho, a Miss USA, provida seguramente do melhor corpo a competição, alcançava às semifinais saldamente em 1° posição, seguida a uma certa distância pelas candidatas da Venezuela, da Finlândia, do Chile e da Colômbia. O Zaire chegava o Top 10 pelo segundo ano consecutivo, enquanto depois de 27 anos a Polônia obtinha a sua 3° classificação entre as semifinalistas. Nenhuma representante da Asia e do Pacífico sobreviveria ao primeiro corte.
Durante a entrevista com as semifinalistas, o grande destaque ficaria por conta da Miss Venezuela, que conquistaria a simpatia da plateia e dos jurados com o slogan "Mi Nombre es Panamá". Em efeito, a partir desse momento a sua projeção no concurso deslancharia definitivamente, superando pela primeira vez a sua principal adversária, a Miss USA, que acabaria a prova em 3° lugar, superada, para surpresa de muitos, também pela graciosa Miss Polônia. Importantes pontos seriam invés perdidos pelas candidatas do Brasil e da Suiça, que devido a respostas inadequadas terminariam a rodada nas últimas posições.
Em seguida, seria a vez das semifinalistas desfilarem com os trajes de banho, onde vitória ficaria como era imaginável com a Miss USA, que venceria a prova com uma boa vantagem sobre as suas principais rivais: Miss Venezuela, Miss Polônia, Miss Finlândia e Miss Brasil.
Após a exibição de um número musical com as concorrentes e a Miss Universo reinante, Deborah Carthy-Deu, as semifinalistas voltariam ao palco para a competição em traje de gala. Para o desprazer de alguns e a felicidade de outros, esta seria a última vez que participariam do desfile as Little Sister, como de costume ao som da tradicional canção “You Are My Universe”. Esta prova terminaria invés com a Miss Venezuela em 1° posição, por pouco à frente da Miss USA, seguidas a uma certa distância das representantes da Colômbia, Brasil e Finlândia.
A conclusão do segmento, Bob Barker anunciaria o nome das cinco finalistas. Estas eram: Miss USA, Christy Fichtner;Miss Finlândia, Tuula Polvi; Miss Polônia, Brygida Bziukiewicz; Miss Venezuela, Bárbara Palacios; e Miss Colômbia, Monica Urbina.
Como prognosticado desde a chegada das concorrentes no Panamá, provavelmente a batalha final para o titulo seria travada entre as representantes da Venezuela e dos Estados Unidos. Miss Polônia em 3° posição vinha logo em seguida, enquanto por poucos décimos Miss Colômbia e Miss Finlândia tinham superado a pontuação obtida pelas duas negras mais belas em competição: Miss Brasil e Miss Zaire.
Tendo sido suprimida nessa edição a pergunta final, a escolha da nova Miss Universo seria decidida durante o Final Look. Calculados os últimos votos dos jurados, Bob Barker anunciaria o resultado final: 4th runner-up, Miss Finlândia, Tuula Polvi; 3rd runner-up, Miss Polônia, Brygida Bziukiewicz; 2nd runner-up, Miss Colômbia, Monica Urbina; 1st runner-up, Miss USA, Christy Fichtner, e Miss Universo 1986, Miss Venezuela, Bárbara Palacios.
No fim do evento, a nova Miss Universo seria coroada pela sua antecessora, a portoriquenha Deborah Carthy-Deu. Somando a recompensa pela vitória e o contrato anual com a organização, Bárbara venceria cerca de US$ 95,000, sem contar os muitos outros prêmios em dinheiro oferecidos pelos patrocinadores. Além dos prêmios habituais, entre eles um casaco de pele e um relógio com brilhantes, à vencedora teria também a possibilidade de fazer uma audição com a Paramount Pictures.
A pouca distância das duas primeiras vitórias, com Maritza Sayalero e Irene Sáez, a Venezuela conquistava com Bárbara Palacios a sua terceira coroa de Miss Universo, comprovando ser indiscutivelmente a maior potência dos concursos de beleza. Contudo, apesar dos indiscutíveis méritos de Bárbara, alguns jornais acusariam Bob Barker de tê-la favorecida durante a entrevista, combinando precedentemente com ela a pergunta sobre a campanha publicitária para promover o Panamá como destinação turístico. Decepcionada pela derrota a um passo do titulo, Christy Fichtner, seguramente uma das mais belas americanas a concorrer ao Miss Universo, deixaria o Panamá com um avião privado logo na manhã seguinte. Com o 2nd runner-up de Mónica Urbina, a Colômbia confirmava seu grande potencial, mas a tão cobiçada segunda coroa demoraria ainda quase três décadas para chegar. Superando o resultado obtido por Alicja Bobrowska, 4th runner-up em 1958, a Polônia se tornava graças a Brygida Bziukiewicz o único país comunista a alcançar a fase final do concurso. A mais de uma década fora do Top 5, a Finlândia chegava novamente à rodada final com Tuula Polvi, mas 10 anos passariam antes que o país obtivesse outro resultado significativo, que aconteceria pela última vez com Lola Odusoga, 2nd runner-up em 1996.
Graças à excelente produção, uma das melhores da história do concurso, a 35ª edição do Miss Universo alcançaria altos índices de audiência, sobretudo nos países da América Latina. Todavia, as ótimas relações entre os Estados Unidos e o governo panamense chegariam três anos depois dramaticamente ao fim. Em dezembro de 1989, o presidente George Bush ordenaria a invasão do Panamá com o objetivo de capturar o General Noriega, o qual seria condenado em seguida a 30 anos de prisão por tráfico de cocaína e marijuana.
Bárbara Palacios Teyde nasceu em Madrid no dia 9 de dezembro de 1963. Apesar de seu verdadeiro nome ser Bárbara Pérez Hernández, ela adotaria os sobrenomes artísticos de seus pais, ambos atores de nacionalidade espanhola. Aos três anos de idade, Bárbara emigraria para a Venezuela com a família, onde seus pais obteriam grande sucesso trabalhando para o teatro e a televisão. Não interessada em seguir a carreira artística, Bárbara estudava comunicação e trabalhava em uma agência de publicidade quando Osmel de Sousa a convidara para concorrer ao Miss Venezuela. Embora inicialmente relutante, ela acabaria sendo convencida pelo seu chefe a participar do certame, persuadida que a experiência lhe seria útil para concluir a sua tese de graduação, que coincidentemente abordava o mundo dos concursos de beleza. Representando o estado de Trujillo, ela seria coroada Miss Venezuela em maio de 1986, e um mês depois venceria o Miss Suramérica, ganhando também o titulo de Miss Fotogenia. No Panamá, ela chegaria às semifinais em 2° posição, mas acabaria derrotando a americana Christy Fichtner, sua principal adversária, ao obter na noite final as maiores notas na entrevista e na competição em traje de gala, vencendo a sua terceira coroa em menos de dois meses. Em agosto, Bárbara seria recebida no Aeroporto Internacional de Caracas por milhares de seus conterrâneos, empolgados com a conquista do terceiro titulo em um período de apenas oito anos. Apesar do seu reinado ter durado somente 10 meses, Bárbara entraria para história do concurso como uma das suas vencedoras mais carismática e bem sucedidas. Em maio do ano seguinte, ela coroaria em Singapura a sua sucessora, a chilena Cecilia Bolocco, a terceira latino-americana consecutiva a vencer o Miss Universo.
O Miss Internacional seria realizado no mês de Agosto no Holland Village da cidade de Nagasaki, e o titulo ficaria com a Miss Inglaterra, Helen Fairbrother. Miss Porto Rico, Elizabeth Robison, semifinalistas no Panamá, chegaria ao Top 15 também nessa ocasião, assim como a Miss Holanda, Caroline Veldkamp. Entre as 46 concorrentes também estavam as representantes da Australia, Christine Bucat, Austria, Manuela Redtenbacher, Costa do Marfim, Marie Françoise Kouame, Alemanha, Birgit Jahn, e Guam, Dina Reyes Salas.
O Miss Mundo 1986 aconteceria como de costume no Royal Albert Hall em novembro, e a coroa iria para a Miss Trinidad & Tobago, Giselle Jeanne-Marie Laronde. Algumas concorrentes não classificadas no Panamá tentariam melhor sorte em Londres, como a Miss Barbados, Roslyn Williams, a Miss Bélgica, Goedele Liekens, a Miss França, Catherine Carew, a Miss Gâmbia, Rose Marie Eunson, e a Miss Luxemburgo, Martine Pilot, mas nenhuma delas chegaria às semifinais.
Miss Finlândia, Tuula Polvi, 4th runner-up no Miss Universo, seria 1strunner-up no Miss Escandinávia 1987.
Dois anos depois de entregar a coroa, Bárbara Palacios se casaria em Caracas com seu namorado de longa data, um estudante de direito, com o qual teria em seguida dois filhos. Em 1989, ela fundaria a sua própria agência de publicidade. Bárbara apresentaria o Miss Venezuela entre 1990 e 1996, quando, devido provavelmente a problemas com a produção, abandonaria a condução do concurso, não voltando nem mesmo em 2006 para celebrar o 20° aniversário da sua coroação como Miss Universo. Em 2001, ela se mudaria com a família para a Florida, abrindo uma rede de lojas em diversas cidades americanas, especializadas na venda de produtos de beleza femininos e de uma linhas de jóias com o seu nome. Extremamente religiosa, Bárbara criaria uma empresa alguns anos depois para a promoção de eventos e seminários sobre bem-estar emocional e liderança, e publicaria também dois livros de auto-ajuda. Todavia, a sociedade acabaria falindo em 2016, e Bárbara então se mudaria com a família para Atlanta, Georgia.
IN MEMORIAM
Miss Holanda, Caroline Veldkamp